Macaquinho de Imitação
Não dei conta do instante preciso em que o Fernando Pereira azeitou.
Ou será que foi sempre assim? Quando era puto, ver um tipo que imita tudo o que quer é alucinante. Aquilo era mágico e imaginávamos logo a quantidade de golpes que se podiam fazer se fossemos tão habilidosos, já que ser invisível e voar estavam mesmo fora de questão. Mas o pouco que faziamos era um grão de areia ao pé da fantástica capacidade de imitar personalidades, cantores, políticos, para além dos óbvios que quase toda a gente imita (Fernando Pessa, António Silva, José Hermano Saraiva). Lembro-me de alguém comentar que o Fernando Pereira era uma anomalia na evolução humana: algures na sua garganta, novas cordas vocais davam-lhe poderes que ninguém tinha. Recordo-me mesmo de ver um médico a tentar explicar o porquê da sua arte. O futuro parecia brilhante e todos falavam em Sigfried & Roy, Corperfield e Fernando Pereira. Acreditavamos que o mais difícil para ele era optar por Hollywood ou Las Vegas.
Mas, de repente, ou me distraí com alguma coisa durante uma década, ou o Fernando Pereira desapareceu mesmo. Desapareceu para voltar com gel, barbicha e pinta de gigolo em festa de casamento. A imitar as mesmas coisas, mas agora em formato Vaudeville, com bailarinas e tudo. O casino apanhou-o, a RTP foi atrás, e agora a coisa repete-se ad infinitum e ad nauseam. Já todos percebemos que a arte do Fernando Pereira mirrou para florescer uma cegueira pelo star system, versão light e bronzeada, entre a Figueira e o Estoril. Amanhã, na RTP1, às 22h30, há novamente um especial sobre as grandes vozes nos últimos 70 anos em Portugal. Quem suportar mais de 10 segundos daquilo que me diga alguma coisa.
Ou será que foi sempre assim? Quando era puto, ver um tipo que imita tudo o que quer é alucinante. Aquilo era mágico e imaginávamos logo a quantidade de golpes que se podiam fazer se fossemos tão habilidosos, já que ser invisível e voar estavam mesmo fora de questão. Mas o pouco que faziamos era um grão de areia ao pé da fantástica capacidade de imitar personalidades, cantores, políticos, para além dos óbvios que quase toda a gente imita (Fernando Pessa, António Silva, José Hermano Saraiva). Lembro-me de alguém comentar que o Fernando Pereira era uma anomalia na evolução humana: algures na sua garganta, novas cordas vocais davam-lhe poderes que ninguém tinha. Recordo-me mesmo de ver um médico a tentar explicar o porquê da sua arte. O futuro parecia brilhante e todos falavam em Sigfried & Roy, Corperfield e Fernando Pereira. Acreditavamos que o mais difícil para ele era optar por Hollywood ou Las Vegas.
Mas, de repente, ou me distraí com alguma coisa durante uma década, ou o Fernando Pereira desapareceu mesmo. Desapareceu para voltar com gel, barbicha e pinta de gigolo em festa de casamento. A imitar as mesmas coisas, mas agora em formato Vaudeville, com bailarinas e tudo. O casino apanhou-o, a RTP foi atrás, e agora a coisa repete-se ad infinitum e ad nauseam. Já todos percebemos que a arte do Fernando Pereira mirrou para florescer uma cegueira pelo star system, versão light e bronzeada, entre a Figueira e o Estoril. Amanhã, na RTP1, às 22h30, há novamente um especial sobre as grandes vozes nos últimos 70 anos em Portugal. Quem suportar mais de 10 segundos daquilo que me diga alguma coisa.
